Dicas para escrever, Técnicas de redação

Como usar os textos motivadores na redação do ENEM?

Em todas as provas do ENEM, a proposta de redação vem acompanhada por textos motivadores. Normalmente, o material é composto por trechos de reportagens, de artigos de opinião ou de leis, além de textos em linguagem não verbal, como tirinhas, imagens de propaganda e gráficos.

Muitas vezes ignorada pelos alunos por falta de orientação ou nervosismo, a coletânea deve ser encarada como parte do enunciado da redação. A seleção não é feita aleatoriamente pela banca: ela guarda informações valiosas que podem despertar reflexões importantes sobre o assunto. Pode, enfim, ser a diferença entre ir bem ou mal na prova do ENEM.

Saber lidar com os textos apresentados na prova é o primeiro passo para não fugir do tema e elaborar uma argumentação de acordo com o que se espera. Nesse sentido, os textos escondem pistas do caminho a se seguir.

Pode ser que você não saiba muito sobre o assunto cobrado. Se isso acontecer, não deixe o nervosismo se instalar e tenha atenção redobrada na leitura e interpretação dos textos. A partir de uma análise cuidadosa do conjunto de textos, é possível pensar em uma argumentação consistente. Sim, ali mesmo, na hora da prova!

No post de hoje, falamos sobre a interpretação desses textos e como tirar o melhor proveito deles. Vamos lá?

Interpretação de textos motivadores – como fazer isso na prática?

Para mostrar como a interpretação dos textos motivadores pode ser importante para a argumentação, vamos usar como exemplo a prova da primeira aplicação do ENEM de 2016. Em primeiro lugar, faremos uma análise individual dos textos e, ao final, uma interpretação do conjunto.

I

O primeiro texto destaca, no trecho final, a laicidade do Estado, prevista na Constituição Federal. Ela é importante para que se impeça a interferência da religião “em matérias sociais, políticas, culturais etc”. Com base neste texto, o aluno poderia argumentar contra a imposição da ideologia religiosa nos rumos da política no país – como a existência, no Congresso, da “bancada da Bíblia”, composta por políticos oriundos de congregações religiosas.

O impacto das decisões tomadas em função desse viés religioso poderia ser discutido – como a aprovação do Estatuto da Família, por exemplo, que interfere na vida civil.

Fazer essa interpretação é fundamental para as ideias comecem a fluir. Lembre-se de anotar os insights, para que depois não bata o famoso “branco”. Durante a leitura, ou depois dela, anote algumas ideias que surgirem. A dica é rabiscá-las ao lado de cada texto.

II

O segundo texto, como vimos, traz definições importantes, que separam o direito de liberdade de expressão, como o de criticar dogmas, da discriminação por motivo religioso. Além disso, aponta as atitudes intolerantes àqueles que professam uma crença e a quem não tem religião como “crimes inafiançáveis e imprescritíveis”. A partir da leitura desse texto, o aluno teria mais propriedade para criticar os atos intolerantes, separando-os da liberdade de criticar – esta, sim, inerente ao cidadão.

O texto indica, também, como são as manifestações da intolerância na nossa sociedade – não só compostas por atos de violência física, mas também por “ofensas e tratamento diferenciado”. A partir desse conceito, está aberto o caminho para argumentar sobre o discurso de ódio como um ato criminoso. Na redação, o aluno poderia citar a presença do discurso intolerante nas redes sociais, por exemplo, que quase nunca é punido.

III

O terceiro texto é um artigo do Código Penal que prevê a prisão (de um mês a um ano) ou multa para quem ultrajar ou escarnecer de alguém, assim como atos e objetos de culto, por motivos religiosos. Mais uma informação importante para que o candidato pudesse se aprofundar no assunto: a punição recebida tanto pelo discurso de ódio quanto pelos atos de violência física.

Indo além, poderíamos discutir, a partir dessa reflexão, sobre a postura de líderes religiosos que pregam o ódio a outras religiões. Não se trata de uma opinião contrária, baseada na razão e na liberdade de expressão, mas sim de uma manifestação de puro preconceito. Não são raros os casos de padres, pastores e outros líderes que atacam imagens e objetos de cultos de outras religiões – citar um desses fatos poderia garantir pontos de interdisciplinaridade e dar mais força à argumentação.

Um ponto de atenção: de nada adiantaria trazer como proposta de intervenção que “é preciso criar leis para criminalizar a intolerância”, posto que a legislação já existe, mas seria possível discutir a pena, talvez como uma sugestão o aumento da punição a quem pratique atos de intolerância.

IV

O quarto e último texto trouxe números da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, que tratam da intolerância religiosa no país, de 2011 a 2014. Os praticantes de religiões de matrizes africanas são as principais vítimas dos atos intolerantes. Estes números são importantíssimos para a reflexão do aluno, pois abrem a possibilidade de que se discuta o preconceito racial embutido nas questões religiosas, fazendo uma leitura social mais abrangente.

Trazer exemplos para comprovar isso, como o caso da adolescente negra apedrejada na saída de uma celebração de candomblé no Rio de Janeiro, poderia enriquecer a argumentação. Por outro lado, o aluno também poderia interpretar que os números de denúncia ainda são baixos, o que pode ser um indício de que as vítimas, em geral, não denunciam os casos de intolerância sofridos.

Leitura do conjunto de textos motivadores: formulação da tese

Pelo conjunto, notamos que a banca admitiu como fato inquestionável a presença da intolerância religiosa na sociedade brasileira. O aluno, assim, se depara com uma posição já definida, cuja tendência ideológica é inegável. Obrigatoriamente, deveria-se partir desse pressuposto. Assim, posição a ser defendida está explícita e o caminho argumentativo está posto: a tese deve ser elaborada respondendo como combater a discriminação religiosa no Brasil, e não se ela existe.

Dicas rápidas sobre os textos motivadores

‣‣‣ Leia com atenção a proposta de redação e os textos motivadores, para compreender bem o que está sendo solicitado.

‣‣‣ Os textos motivadores também são parte do enunciado da prova.

‣‣‣ Vá além do que os textos apresentam. Eles ajudam a despertar a reflexão, mas não devem limitar sua argumentação.

‣‣‣ Nunca faça cópias dos textos motivadores.

‣‣‣ Use o conjunto da coletânea e da proposta de redação para elaborar uma tese que responda às questões apresentadas pela banca.  

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