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Análise da redação do vestibular da UFU: relato e carta argumentativa

O vestibular da UFU (Universidade Federal de Uberlândia), realizado em 3 e 4 de junho, foi o primeiro no novo formato, com a redação conjunta às provas objetivas no sábado. No domingo, foi realizada a etapa discursiva, equivalente à segunda fase.

aulas ufu

Aqui na 1000 na Redação, preparamos uma análise da prova de redação, com comentários a respeito dos temas e dos gêneros cobrados: relato e carta argumentativa. Você tem dúvidas sobre se foi bem ou não? Quer saber o que poderia ter argumentado? E sobre a estrutura dos gêneros? Acertou todos os elementos?

No texto abaixo, você poderá encontrar as respostas a esses questionamentos! Boa leitura!

RELATO

Cena do filme “Eu Sou a Lenda”, que imagina o fim do mundo, tema cobrado na redação da UFU

Na proposta A, a UFU surpreendeu muita gente ao cobrar um tema mais fictício, sem tanta ligação a problemas sociais, científicos ou tecnológicos, como vinha acontecendo nos últimos anos. O relato sobre eventos posteriores ao “fim do mundo” foi uma aposta completamente inesperada, mas que abria bons caminhos para escrever.

Diante de tantas previsões apocalípticas, como a de Nostradamus, a dos maias e de outras fontes suspeitas (como a que circula na internet de que existe um asteroide em rota de colisão com a Terra), somadas a tantos filmes, séries e livros que falam sobre o assunto, talvez não tenha sido difícil criar um mundo distópico.

O enunciado orientou os alunos a contarem, em primeira pessoa e como sobreviventes da catástrofe, o que fariam para sobreviver.

O concorrente poderia pensar em vários caminhos narrativos, como no detalhamento dos meios usados para se manter vivo (Lutar contra os inimigos? Fugir para a selva? Esconder-se em um bunker?), na busca por alimentos (Saquear supermercados desertos? Caçar? Comer restos?) e nos planos de repovoamento do mundo. É possível pensar que o narrador pudesse ter encontrado outros sobreviventes como ele, fundando uma nova sociedade.

Enfim, como um assunto amplo e genérico, muitas são as histórias que podem ser inventadas.

É importante, neste caso, lembrar-se da intenção pedagógica do gênero relato — era preciso contar o que o narrador aprendeu com os fatos, que lição ele tirou de ter sobrevivido à catástrofe e quais as consequências disso na vida dele. Uma boa dica seria o valor da solidariedade, caso o personagem principal tivesse ajudado ou precisado da ajuda de alguém.

Estruturalmente, o relato deveria contar com:

  • Título
  • Marcação de tempo e espaço
  • Desenrolar da história, com ações e fatos
  • Conectivos que indiquem passagem de tempo
  • Participação e fala (em discurso indireto) de personagens
  • Desfecho com intenção pedagógica

CARTA ARGUMENTATIVA

Excesso de medicamentos foi o tema da carta

O assunto cobrado na carta não é novo. Ao contrário de vestibulares anteriores, em que a banca buscou temas exclusivos (“desburocratização dos processos”, “economia alternativa” e “internet das coisas”), a “medicalização da vida” já foi cobrada em outras provas de redação.

Podemos citar o concurso 2016/1 de Medicina da Universidade de Rio Verde (Unirv) e o Programa de Avaliação Seriada da Universidade de Brasília (PAS/UnB), que no ano passado também trouxeram o excesso de medicação e de diagnósticos de doenças mentais.

Dificilmente, os alunos se depararam com o tema pela primeira vez. Trata-se de temática bastante discutida em jornais, recorrente em programas de televisão e em sala de aula. A dificuldade, talvez, tenha sido o interlocutor da carta, o ministro da Saúde. O comando era bastante claro na prova: como cidadão, criticar o excesso de medicalização, cobrando providências da área da saúde em relação a essa prática.

Sabendo que o excesso é cometido por médicos e laboratórios farmacêuticos, e não exatamente pelo Ministério, a melhor saída talvez fosse cobrar por políticas nacionais que pudessem ser executadas a partir do poder público. Na carta, o aluno poderia exigir medidas que buscassem a orientação da população, bem como a fiscalização das relações entre médicos e representantes da indústria de remédios.

Vale lembrar que a indústria farmacêutica é a segunda em faturamento no mundo, perdendo apenas para a indústria bélica. Além disso, as crianças são um grande alvo da medicalização. O texto motivador citou a Ritalina, usada no tratamento de distúrbios de comportamento, como o Transtorno de Déficit de Atenção e Hipertividade (TDAH).

Um bom caminho para o vestibulando seria chamar a atenção para esse problema, posto que muitas crianças são tratadas simplesmente por apresentarem um comportamento diferente do que se espera na escola — o que não indica, necessariamente, uma disfunção mental. Somente entre 2003 e 2012, de acordo com um estudo da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, o Brasil registrou um aumento de 775% no consumo de Ritalina.

A essa questão, somam-se outras, como a obsessão pelos medicamentos para emagrecer e antidepressivos. Por um lado, esses remédios são importantes para pacientes que realmente sofrem com distúrbios. Por outro, são medidas “mágicas” para quem quer evitar problemas inerentes à vida, uma saída aparentemente fácil para escapar do sofrimento.

Estruturalmente, a carta deveria contar com:

  • Local e data
  • Saudação inicial, com pronome de tratamento (Excelentíssimo Senhor Ministro da Saúde)
  • Corpo da carta, com introdução (apresentação da máscara e delimitação do assunto), desenvolvimento (argumentação e diálogo com o interlocutor) e conclusão (fechamento)
  • Saudação final (Atenciosamente)
  • Assinatura (José ou Josefa)

COMENTÁRIOS GERAIS

Não podemos dizer que se tratou de uma prova difícil. O aluno bem preparado encarou com tranquilidade e teve uma boa oportunidade de mostrar seus conhecimentos de redação.

Precisamos destacar a postura transparente da Diretoria de Processos Seletivos (DIRPS/UFU). Neste ano de mudanças, a instituição respondeu aos questionamentos de professores e alunos em notas de esclarecimento.

O material foi bem útil para entendermos o que a banca esperava dos textos. A cada edição das notas (foram quatro, no total, e ainda um documento com orientações gerais), fizemos nossos comentários aqui no blog. A única ressalva que fazemos é sobre a tabela de notas por critérios, prometida, mas não publicada.

E então? Você acha que se deu bem na prova? Deixe seu comentário e compartilhe este material com seus amigos!

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